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Dos Açores ao Arroio Grande: A trajetória da família de Manoel Jerônimo
Participação da SeCult/AG no evento Raízes Açorianas no Rio Grande do Sul
Postado em 06/12/2022
Aconteceu no Centro Histórico Cultural Santa Casa de Porto Alegre, entre os dias 02 e 04/12, o encontro com apresentações de estudos, pesquisas e registros de memória dentro do programa do Raízes Açorianas no Rio Grande do Sul, evento voltado à pesquisa e comunicação sobre a presença luso-açoriana no Estado. O fluxo migratório desses ilhéus se intensificou a partir de 1752, a partir de políticas voltadas à ocupação do Brasil Meridional e consequentemente do território que abrange o município de Arroio Grande.
Na ocasião foi apresentada uma pesquisa sobre a açorianidade em Arroio Grande pela Secretária de Cultura, Anelize Carriconde, e pelo Museólogo da Rede de Museus da Secult/AG, Heron Moreira. O estudo destaca a trajetória de Manoel Jerônimo de Souza, que navegou mais de 8000 km (cerca de três meses) da Ilha de São Jorge nos Açores até o porto de Rio Grande, na década de 1750, permanecendo na região até a invasão espanhola a Rio Grande, em 1763. Essa invasão resultou no espraiamento dessas famílias por várias regiões do RS e para o atual território do Uruguai. A família de Manoel Jerônimo foi uma das inúmeras que foram instaladas em São Carlos, Maldonado, onde permaneceram até o amainamento dos conflitos territoriais, possibilitando o retorno desses portugueses à região de Rio Grande.
É nesse contexto que Manoel Jerônimo se estabelece, por volta de 1790, na região entre o Arroio Chasqueiro e o Arroio Grande, ação que contribuiu para a formação do povoado às margens do arroio que dá nome ao município. Além dos aspectos históricos, foram abordadas as contribuições açorianas para a cultura e a identidade da comunidade arroio-grandense e seus reflexos na contemporaneidade. Cabe ressaltar que o recorte predefinido vai além de um único personagem e se estende a família constituída ainda nos Açores, como a esposa Rosa Maria da Assunção de Souza, que chegou no Brasil com seus pais.
Além dos apresentadores, estiveram presentes a Coordenadora de Memória e Patrimônio, a Turismóloga Franciéle Soares e o Assistente Administrativo, Luiz Roberto Cunha. A equipe acompanhou as apresentações de diversos trabalhos buscando aprimorar os conhecimentos para fomentar a pesquisa em Arroio Grande, que apesar da ligação a culturalidade açoriana na oralidade, é uma área pouco explorada, carente de fontes e estudos mais específicos.
A Secretária de Cultura, Anelize Carriconde, avaliou positivamente a participação da equipe, que trabalha na perspectiva de qualificar as ações empreendidas pelos museus e equipamentos culturais da Secult, principalmente no momento que comemoramos os 150 anos de Arroio Grande e os esforços estão voltados à compreensão das relações étnico-raciais na formação da identidade da comunidade e a valorização da diversidade cultural arroio-grandense. Além de inserir o município no roteiro dos estudos açorianos no RS, o evento proporcionou o diálogo com pesquisadores, além do encontro com participantes ligados a Arroio Grande ou com pesquisas que abrangem nosso município.
A cultura açoriana está presente no cotidiano de Arroio Grande, tanto nas descendências dos colonizadores de nossas terras, como o Visconde de Mauá, quanto sobre os hábitos mais simples do cotidiano que permanecem na nossa cultura, como o uso do "tu", expressão que se tornou característica de nosso estado, mas também no traçado das ruas ou nos guardanapos de crochê, tão comuns nas residências de nossa região.
Na ocasião, a equipe foi recepcionada pela Professora Vera Barroso, referência nos estudos da área e o Diretor Regional das Comunidades do Governo dos Açores, José Andrade, que foi regalado com um presépio, confeccionado com elementos naturais, como porongo e palha de milho, produzido pela artista Maria Arlete Carriconde. O artesanato é um dos traços da cultura açoriana presente em nossa cidade e o presépio será integrado ao acervo de um museu localizado nos Açores/Portugal.